Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




O grande desafio de um governo de esquerda

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 24.10.15

Teremos tido alguma vez, desde o início da normalização democrática, um verdadeiro governo de esquerda?

Que representasse a vontade dos eleitores, contemplasse uma gestão política e económica responsável e conseguisse o equilíbrio entre finanças públicas, economia real, qualidade de vida das famílias e protecção dos mais frágeis?


Um governo de esquerda hoje tem um desafio ainda maior: conseguir tudo isto com o condicionamento das regras europeias.


Nota-se um desconforto na dupla PSD/CDS e nos responsáveis de Bruxelas. É que Portugal foi apresentado pela CE e o eurogrupo como o exemplo do sucesso da austeridade. Revelar agora o falhanço do programa é tudo o que as instituições europeias querem evitar a todo o custo.

É por isso que não sabemos qual a verdadeira situação financeira do estado. E é por isso que não sabemos qual a verdadeira situação do nosso sistema financeiro. 


A dupla PSD/CDS pode até voltar a ser governo. Um governo de gestão. 

De qualquer modo, como disse o filósofo José Gil no mais recente "Prós e Contras", a mudança já está em movimento. Este movimento pode ser abafado agora, mas não vai parar, pois é a esperança, o futuro.

 

 

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

publicado às 18:13

O negociador

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 16.10.15

Enquanto saboreio este intervalo... sem governo, vou observando o que se vai passando nas negociações.

A nova distribuição dos lugares no parlamento veio baralhar a composição do novo governo. Os partidos têm de negociar.


A dupla PSD/CDS proclama que ganhou as eleições enquanto o PS negoceia. A dupla PSD/CDS faz um "acordo de governo" entre si enquanto o PS negoceia. A dupla PSD/CDS não apresenta uma proposta decente ao PS enquanto o PS negoceia. A dupla PSD/CDS atribui ao PS as culpas de não haver aproximação enquanto o PS negoceia. A dupla PSD/CDS está à espera que o Presidente os coloque no poder enquanto o PS negoceia.


O que posso concluir, para já, deste filme "O Negociador" é que o raptado, o PS, deu a volta ao papel que lhe deram, de vítima, para o papel do herói que, nestes filmes é, como se sabe, o negociador, o que salva os reféns.

E isso tem sido muito interessante de ver. Porquê? Porque hoje a cultura da negociação é fundamental para gerir da melhor forma um colectivo e, ainda por cima, nas actuais circunstâncias.

 

Vou estando atenta a este filme, até porque há outras personagens a surgir, os desestabilizadores, os maus da fita, os que criam o suspense, os que querem dividir. 

E quem são eles? A comunicação social, políticos, comentadores, a Igreja, alguns Anciãos respeitados, enfim, o sistema. Vozes que lançam a dissonância em vez da concordância. Vozes que querem abafar a voz colectiva de quem votou. 

E isso também é muito interessante de ver. Porquê? Porque estamos perante um confronto social e cultural. Social: de um lado os que têm estado no poder e na influência, do outro lado, os que têm sido afastados da participação política, nas grandes decisões que afectam as suas vidas e a das suas famílias. Cultural: entre a cultura do poder e a cultura da negociação.

 

 

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

publicado às 15:05

Ainda não temos governo mas já temos Presidente

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 13.10.15

É impressão minha ou este Outono está a revelar-se mais suave e alegre? Como se um peso nos tivesse sido tirado dos ombros... e só pelo facto de estarmos, bem... sem governo. 

Agradeço, pois, a todos os Indecisos que foram votar terem hesitado até ao último momento e terem mantido o suspense até ao fim. Assim, comparando com as sondagens na semana anterior às eleições, podemos concluir que a distribuição dos seus votos foi deveras interessante: bastantes votos para o BE, alguns para o PS, uns poucos para a CDU, e ainda se lembraram do PAN, o único dos novos partidos a merecer a sua atenção.


Apesar da dupla CDS/PP, da comunicação social e dos comentadores agitarem os fantasmas do passado, para assustar os cidadãos quanto à possibilidade de formação de um governo de esquerda, os ditos cidadãos não parecem preocupados. A vida continua docemente e em paz.

Afinal, podemos não ter governo mas já temos Presidente.


Alguém que finalmente apresenta a sua candidatura fora do centro político e das luzes da ribalta, junto dos cidadãos.

Alguém que define a sua futura forma de representar o seu país e os seus concidadãos, perto das pessoas e com as pessoas. Sim, finalmente alguém que gosta de pessoas.

Assim, se o governo que sair das negociações em curso se vir entalado ou pressionado, já temos alguém que pode construir pontes e manter a harmonia e equilíbrio há tanto desejados.


Entretanto vou saboreando estes dias de intervalo sem a dupla PSD/CDS no poder. Esta súbita paz, esta calma outonal... 

Afinal há uma década já que somos massacrados com personagens rígidas e arrogantes. Não seria bom que agora surgissem pessoas a sério?


Para celebrar este Outono e este intervalo, um filme muito arrumadinho dos anos 50:

 

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

publicado às 20:26


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D